Lugar: como desprogramar uma sinagoga
Este ensaio é uma reflexão sobre os múltiplos entendimentos do “ser judeu” contemporâneo, tomando o termo utilizado pelo filósofo austríaco-brasileiro Vilém Flusser (1920-1991). Configura-se aqui um espaço catalisador das diversas vertentes sobre a compreensão da condição existencial judaica e suas implicações no mundo material; pretende-se ainda, ressaltar o entendimento do ser judeu enquanto ser histórico, e distanciá-lo de ente temporal. Sendo assim, o objetivo é trazer à tona as diversas maneiras de se entender e de se reconhecer judeu dentro de uma cultura díspar e multifacetada. Parte-se, primeiramente, da centralidade fundamental que o espaço sinagogal possui na vida comunitária, religiosa, tradicional e cultural judaica, compreendendo a sinagoga (Beit Haknesset) não apenas como uma casa de rezas, mas também um lugar de estudos e centro comunitário. Procura-se tensionar, portanto, a pluralidade dos grupos judaicos dentro da própria comunidade — desde ultraortodoxos até progressistas — tendo sempre presente o conceito de “sinagoga”. Para finalizar, é necessário ressaltar que esse ensaio busca traçar maneiras positivas e afirmativas de reconhecer-se judeu em um contexto de diáspora.
Texto: Tamara Crespin · Orientação: João Sodré
Leitura