Essas são as folhas que escrevi, porque tive medo que fosse esquecer, entrevista com Ruth Sprung Tarasantchi

· AJLA — Arte Judío Latinoamericano

Ruth Tarasantchi nasceu em 1933 em Sarajevo, na então Iugoslávia, em uma família sefardita estabelecida na região havia séculos. Com a ascensão dos ustashas, grupo de extrema-direita aliado ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, sua família passou a ser perseguida. Diante da escalada da violência antissemita, a família fugiu para a cidade costeira de Split, onde viveu escondida com documentos falsos.

Mas Split foi ocupada pelos italianos e, juntamente com a maioria dos judeus da cidade, Ruth e a sua família foram deportadas: primeiro para Turim e Castelnuovo Dom Bosco, e finalmente para o campo de concentração de Ferramonti di Tarsia. Embora o campo não fosse de extermínio, as condições eram precárias: fome, confinamento e a condição de apátridas marcaram profundamente sua infância. O campo de concentração foi libertado pelos americanos em 1944, possibilitando que a família emigrasse para o Brasil, onde Ruth reconstruiu sua vida.

Em São Paulo, Ruth formou-se como artista, curadora e restauradora. Tornou-se uma das fundadoras do Museu Judaico de São Paulo, onde ainda hoje, aos 92 anos, atua como coordenadora do Acervo de Objetos. Em 2019, publicou o livro A História de Ruth, em que narra sua trajetória por meio de gravuras em metal.

A entrevista acompanha Ruth no percurso de suas memórias e no processo de registro dessas experiências.