Bloco Klezmer presta homenagens às figuras judaicas do Bom Retiro
No primeiro final de semana do pré-carnaval em São Paulo, a história do Bom Retiro faz do Bloco Klezmer um espaço de homenagem às figuras judaicas e simbólicas que moldaram a memória e a identidade do bairro.
O Bom Retiro foi o principal reduto da imigração judaica no início do século XX, a partir de 1910, concentrando imigrantes do Leste Europeu (Rússia, Polônia, Romênia). A história dos judeus no bairro mudou a partir da década de 1960, quando muitos migraram para Higienópolis — mas mesmo assim deixaram marcas no bairro, como a sinagoga Kehilat Israel, a mais antiga do Estado, construída em 1912 e em funcionamento até hoje.
“O bairro do Bom Retiro, que um dia se assemelhou a um shtetl (uma pequena vila) nos trópicos, vê seu passado se esvaindo e aos poucos perdendo esse referencial. Diante disso, queremos beber das fontes dessas histórias urbanas, entre shtetl e cidade, e reinventar essas personalidades judaicas por meio da brincadeira carnavalesca. Esse gesto, o olhar para o passado que também é um ato de comemorar, mantém vivas as memórias que nos formam”, destaca à Coluna Tamara Crespin, uma das idealizadoras do bloco.
Inspirados nos conceitos de idishkeit e doikeit — que afirmam o pertencimento ao lugar (“é aqui que pertencemos”) — e na estética schleper, marcada pelo exagero carnavalesco, o Bloco Klezmer propõe um olhar lúdico e afetivo sobre o passado e presente judaico do Bom Retiro, resgatando histórias urbanas entre o shtetl e a metrópole.
As personagens do bairro — Benny Yanga, Shmil o violinista, Rosa Polaca — serão interpretadas por atores e atrizes ao longo do cortejo. O cortejo será acompanhado por um conjunto de músicos com arranjos originais de freilachs, bulgars e zhok’s misturando marchinhas, frevos e arrastapés com o estilo klezmer — estilo folclórico instrumental originário das comunidades judaicas asquenazes da Europa Oriental, conhecido por sua sonoridade alegre e festiva, tradicionalmente presente em celebrações, casamentos e festas religiosas.
Diretor musical: Alex Parke · Figurino: Arthur Telles · Produção: Fernanda Sardas · Diretor artístico: Gabriel Neistein · Diretora cênica: Marina Sutton · Diretora de comunicação: Tamara Crespin
Assessoria de Imprensa: Liane Gotlib Zaidler