A escrita da cidade: metodologias, apropriações e traduções do urbano
A função copiar e colar é, sem dúvidas, o comando mais popular dos computadores atuais, e se destaca por representar a viabilidade de um novo dinamismo para a cultura de massas, possibilitando apropriação e ressignificação de materiais diversos já produzidos. O escritor espanhol Enrique Vila-Matas nos lembra que “o artista contemporâneo deve ser radicalmente não original” (Vila-Matas, 2018).
A pesquisa parte da tensão que os métodos apropriativos ganham na atualidade, entendendo que o mundo está atolado de tanto passado, e que a construção das narrativas necessita se reciclar, apropriando-se desse material já produzido, para então ressignificar a realidade, desestabilizando-a e a modificando por meio da ficção. As metodologias desta pesquisa se sustentam por meio de dois caminhos simultâneos para tensionar e colocar em prática essa produção contemporânea. Um deles é buscar na literatura, e nas artes, metodologias e experiências de narrar que colaborem com os modos de ver a cidade e que tenham a lógica de apropriação subjacente ao seu processo. O outro, aplicar essas tentativas de leitura da cidade, bem como suas traduções de experiências urbanas, em experimentos práticos, em constante jogo entre os conceitos de apropriação e tradução.
Por fim, essa é uma inquietação incansável de ler a cidade de São Paulo, não de novas, mas de diferentes formas.
Texto: Tamara Crespin · Orientação: Joana Barossi
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